Receita de família

Eu fui sou uma mocinha muito romântica. Sabe aquela família do comercial de margarina, unida em volta da mesa e de bom humor já no café da manhã? Foi mais ou menos assim que eu sonhei uma família! Sempre desejei uma mesa grande em casa, onde pudesse reunir a família e os amigos. E é claro que essa mesa não estava vazia na minha imaginação, mas sim recheada de delícias preparadas com amor e carinho para cada pessoa. Dessa história, pelo menos duas conclusões vocês podem tomar:

#1 Eu acredito no poder social da comida

#2 Eu acredito que a forma como uma comida é preparada faz inteira diferença na experiência de comer

Por conta disso, desde muito nova criei afeto pela cozinha. Gostava de ver minha mãe cozinhando, entender os ingredientes que estavam naquilo que eu comia (o que até virou chatice depois!) e claro, né? Eu queria era por a mão na massa. Minha mãe via mais perigo e desperdício do que vantagem nessa minha vontade, e por isso preferia me manter longe dos ingredientes e receitas! Mas era ela deixar a cozinha desprotegida e lá estava eu tentando fazer um bolo e gastando todo o pote de fermento para garantir que não ia dar erro. De certo modo a minha mãe tinha razão sobre o desperdício.

Tomei muitas broncas e fiz muitas comidas imprestáveis, mas meu amor não mudou e depois de muito insistir consegui a assistência dela na cozinha. Lembro-me das minhas primeiras produções: sopinhas e panquecas. A evolução foi tamanha que me tornei a panquequeira (se isso existe!) oficial da família! Em qualquer casa que eu fosse e tivesse a chance de chegar perto do fogão, lá estava eu fazendo panquecas de carne para o almoço. Ai, que delícia era ouvir as pessoas comentando sobre como a minha massa era deliciosa e fininha!

Dessa história com a cozinha, nasceu a história com os cadernos de receitas. Quando minha mãe me liberou o dela, eu me lembro de passar algumas tardes folheando o caderno, percebendo as cores das canetas, os desenhinhos, as sujeiras das páginas. Quando esse mistério acabou, pedi para minha mãe um caderno novo, para que eu copiasse todas as receitas e as reorganizasse, já que tinham algumas que nunca eram feitas e também tinham aquelas mal escritas e difíceis de achar no fim do caderno.

Receitas de família

Os anos passaram, o tempo livre foi ficando cada vez menor, menos eu ia à cozinha e mais eu ia à despensa atrás dos “empacotados”. Foi a era do micro-ondas, dos semiprontos, da praticidade e rapidez na cozinha. Até que chegou o dia de sair de casa e descobrir aquelas coisas básicas: que água não nasce na geladeira e que você gostava mais de feijão do que imaginava.

Na minha casa, com a minha cozinha, senti saudades da comida da família e mais ainda do caderno de receitas da minha mãe! Daí comecei a aprender mais sobre a cozinha, a passar mais tempo nela de novo e, claro, a investigar cadernos de receitas alheios. Ainda não coloquei em prática, mas tenho um projeto de criar o meu “Receita de Família”! Um caderninho só com as supertestadas, as cheias de memórias e histórias para contar! Acho que tenho uma nova meta para começar ainda em 2016 e terminar só quando achar que devo! <3

Compartilho com vocês então a lista de receitas que com certeza já vão entrar no “Receita de Família”:

  • Creme chinês: a sobremesa da Tia Dete
  • Torta de farinha láctea: a sobremesa sem nome legal mais deliciosa da minha mãe
  • Doce de mamão verde no estilo vidrinho: esse eu ganhava da nossa vizinha, que carinhosamente eu chamava de vó. Ele vinha sempre pelo muro!!!
  • Nega maluca: porque eu nunca consegui fazer uma digna de respeito e toda família que se preze tem uma receita de nega maluca
  • Toalha felpuda: e só consigo me lembrar da Tia Miriam
  • Feijão: carinho puro (não sei por que a receita nunca está nos cadernos)
  • Pirão de feijão: carinho puro com farinha de mandioca escaldada
  • Canelone de ricota: aprendi com os Poletto
  • Pão de cebola: o presente culinário que a minha sogra me deu
  • Pão de minuto: o presente culinário que meu marido insistiu para eu ganhar de alguém
  • Sopa de feijão: porque eu quero que meus filhos se lembrem de mim por ela
  • Panquecas: não posso evitar ser lembrada por elas

E por enquanto é tudo isso! Muitas delas eu ainda preciso recuperar a receita ou pegar o jeito de fazer, mas aos poucos vou compartilhando aqui com vocês e vou começar pelo pão de cebola (até porque ele era o objetivo desse post, mas gastei todas as minhas palavras de direito falando da minha relação com a culinária e, no fim, achei justo!).

Se você tem uma receita que acha que vale a pena, compartilha comigo nos comentários, me chama no Facebook ou me adiciona no Skype (luyane_) para contar! Se quiser também pode mandar e-mail ué: contato@promessadeanonovo.com. Vou adorar conhecer a história da sua receita e o sabor dela também! E enquanto você não aparece, vou correr atrás de uns livros engavetados por aí!

Nos vemos na farmácia comprando antialérgico!

Luy.

  1 comment for “Receita de família

  1. Tatiane
    20 de maio de 2016 at 15:50

    Luy, teus textos são sempre muito empolgantes.
    #aceitosersuacobaianacozinha

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