Semana #14: O ninho

Você já teve a sorte de mesmo que por alguns minutos observar um pássaro construindo um ninho? É inspirador ver a paciência, o zelo e a perseverança. Parte da escolha de um espaço que seja adequado e protegido. Então, o construtor busca galho a galho, folha a folha as peças ideias para construir seu ninho, de forma que ele seja seguro e firme. Mesmo cuidadoso em suas escolhas, o passarinho não tem luxos. Qualquer material servirá se garantir o bem-estar de sua família pelo tempo que for necessário. Nesses tempos em que a cidade acinzentou tudo, às vezes não se acha nem uma árvore e o lixo pode ser um bom recurso estrutural… E sabe do que mais? Aquele ninho não é o lar do para sempre, mas o lar do agora. Sua família irá crescer, os primeiros dias serão mais delicados. Os pequeninos e ainda frágeis filhotes necessitarão de todo apoio, proteção e alimento. Mas logo, logo, eles voarão. Já livres e independentes não precisam mais do ninho, assim como dele não precisa mais o passarinho que “a duras penas” o construiu. Então, todos abandonam o ninho. Aqueles galhos, as folhas secas, a palha e o isopor contam apenas uma história para quem teve a sorte de um dia estar presente. O tempo, esse ingrato fabuloso tratará de apagar inclusive essa marca até que sobre apenas a lembrança, tudo em prol de recriar novas vidas e novas histórias.

Passarinho
O ninho escondido na cidade

A foto não é das mais belas. O local não era assim tão romântico e poético quanto merecia ser. Era a cidade, o cimento, os fios de eletricidade servindo como abrigo para a nova família. Por dias eu acompanhei o passarinho construindo o ninho. Me inspirei tanto nele. Lembro-me de quando ele chegava com a palhinha na boca, olhava para os lados, garantia que tudo ainda estava seguro e em ordem e então ajeitava mais um pedacinho do seu lar. Enquanto isso, eu sorria entre uma abdominal e outra. Tiveram dias em que pensei que ele não havia escolhido um bom lugar… Imaginem aqueles holofotes acesos durante a noite. É de cegar qualquer um. Mas quem era eu. Aquele serzinho deveria ter seus motivos.

Nesta semana me dei conta de que não tinha mais ninguém no ninho. Não sei quando tempo se passou sem eu percebê-lo. Meu coração doeu. Me senti tão ingrata. Minha atenção, mesmo que anônima, fazia daquela família única no mundo. Por algum motivo me descuidei e quando me dei conta, não sabia mais da história deles.

Grande ingenuidade a minha. Não era eu que os fazia únicos, mas eram eles que estavam me dando um novo ensinamento.

Com qual integralidade nos empenhamos na construção dos ninhos de nossa vida?

Porque nos tornamos vaidosos ao ponto de não querer abandoná-los?

Quantas vezes deixamos o tempo certo de deixar o ninho passar, perdendo as outras novas experiências, dificultando o trabalho do tempo e da história?

E não é por isso que se torna efêmero. A eternidade está dentro de cada um de nós.

E se vocês acham que essa baita lição foi a única que aquele passarinho me deu, engano o seu. Resolvi aproveitar que o ninho vive perto de mim e fotografá-lo para esta postagem. Essa intenção me acordou hoje de manhã. E quando digo acordou, quero literalmente dizer que abriu meus olhos! De bike e câmera segui para o parque e de olhos bem abertos eu vi tanta beleza e não apenas da natureza. <3  Encontrei até um menininho vestido como rei, que devia ter uns 2 aninhos, sendo fotografado! E daí me dei conta de uma coisa… Nós humanos somos muitas vezes amargos, maus, intolerantes, cegos, egoístas, hipócritas e a lista poderia ir longe, mas sabe por que eu acho o mundo ainda está de pé? Porque a medida de quando somos bons, altruístas e responsáveis vale muito mais do que a de quanto somos “ruins”. E tudo isso porque quando eu ouvi o sorriso daquele “Rei Arthur” automaticamente minhas contas zeraram. Acho que passarinhei!

É, mesmo sem moradores, aquele ninho ainda é pura vida. E acho que isso deve ser aquele tal legado de que se fala por aí: a capacidade que aquilo que construímos ao longo da vida tem de gerar transformações sem que seja necessária a nossa presença. É o que deixamos para trás: os sucessos (ou não) dos quais nos desapegamos.

E para ligar essa história toda com esta última semana que vivi, quero contar um pouco para vocês como tem sido a minha experiência de estar em um novo emprego. Para você que não acompanhou o post da semana passada, dia 1° de abril (isso mesmo!) eu comecei em uma nova empresa, com um novo cargo, novas carinhas, culturas, desafios, atividades, trajeto e tudo o mais. Eu abandonei um ninho. Faz uma semana que estou lá e só posso dizer que tem sido ótimo. Ainda estou na fase de reconhecimento do território, que eles chamam de onbording (!). Preciso entender como as coisas funcionam, conhecer meus colegas de trabalho, que lugares ocupam, quais suas visões sobre seus ninhos para então escolher um local onde eu possa começar a construir o meu. Aqui talvez os critérios de escolha do local não sejam os mesmos dos passarinhos… Claro que quero me sentir segura, mas também que me desafiar e que somar, ser melhor, evoluir e me sentir ativa. Acho que eu também busco um holofote sem sentido!

Mas não apenas pela busca do local ideal tem passado a minha experiência da última semana, mas também por duas daquelas questões que levantei antes:

Com qual integralidade nos empenhamos na construção dos ninhos de nossa vida?

Porque nos tornamos vaidosos ao ponto de não querer abandoná-los?

Foram 7 anos em uma mesma empresa. Eu conhecia todos os caminhos, incluindo os atalhos. Estava em um ninho confortável, apegada aos meus galhinhos. Por sorte me dei conta de que era hora de abandonar o ninho antes que eu me esquecesse como é voar. Agi nessa direção, o ninho ficou para trás, mas eu não sei se o deixei de fato. Sinto que em alguns momentos me afasto do meu novo ninho e dou uma cheiradinha no antigo como forma de me confortar. Não quero afastar os aprendizados que tive, mas nada de viver de lembranças. O legado é legado porque eu deixei o ninho!!! Quero integralidade no novo desafio e xô vaidade!

E o que mais dizer? Obrigada, passarinho!

Mudança de hábito

Quem me acompanha nas redes sociais teve um gostinho de como foi o projeto mudança de hábito desta semana! Posso dizer que estou bem mais perto de ter uma rotina de exercícios do que quando começou o ano. Além disso, estou acordando cedo! \o/ Quanto à alimentação, levei minhas marmitinhas para o trabalho durante a semana e garanti a salada. Mas foram em quantidade inferior ao que eu desejava. Além disso, ainda estou na fissura por doce, então comi muito chocolate (tipo, muito mesmo…). Chocolate em casa, no trabalho, no François. Aff! Meu jantar voltou a ser mais tarde, pois ainda não me senti confortável para jantar no trabalho novo e perdi a rotina dos lanches da manhã e da noite. Ainda bem que fiz exercícios, porque senão a balança ia estar de se envergonhar…

  Peso (kg) Barriga (cm) Cintura (cm) Bumbum (cm) Braço (cm)
Semana #11 71,2 88,5 77,5 105,0 30,0
Semana #12 70,8 86,0 76,5 104,0 29,5
Semana #13 71,0 88,0 76,5 105,0 29,5
Semana #14 71,6 88,0 76,5 104,5 29,0

 

Beijinhos da Luy.

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